O Tempo

7 10 2008

Como todo indivíduo São deste tempo moderno, me questiono constantemente acerca da duração do tempo, da produtividade de um dia. Penso que se o dia tivesse 48 horas, ainda acreditaria que não seria suficiente para fazer tudo que planejo.

Estamos cristalizados em uma rotina mortal. Acordar, trabalhar, estudar, dormir, acordar, trabalhar, estudar, dormir… Um ciclo interminável. Você reflete e conclui: Estou vivendo de forma sedentária. Preciso praticar algum esporte. Modifica sua agenda na expectativa de alcançar a famigerada qualidade de vida. Quando percebe está novamente incluindo mais uma etapa no seu ciclo, reduzindo seu tempo. Ora, mais que tempo estamos falando então? Pois é. Aí que entra em minha opinião o cerne do problema. TEMPO. Será que tempo é mesmo essa “coisa” que conseguimos medir olhando para ponteiros apressadamente imbecis? Quem não teve a sensação de ter sido extremamente produtivo em apenas alguns instantes e completamente improdutivo durante um dia inteiro?

Há algum tempo tenho procurado sobre formas de se relacionar com o tempo de maneira eficiente, mas percebi que o paradigma convencional é que está errado. Se ficarmos escravos do tempo baseado em 24 horas, das quais dedicamos 8 para dormir (ideal), cerca de 12 para trabalhar nessa vida capitalista agitada, nos restam 4 para fazer as coisas “desregradas”, e esse curto tempo sempre será pouco e jamais trará  a sensação de saciedade.

Algumas visitas à clientes me surpreendem com o nível de experiência que também adquiro, nem sempre vou apenas para “ensinar”, muitas delas saio com um aprendizado. Seja uma nova estrutura organizacional, um novo processo de negócios e também sobre a famosa cultura geral. Esse cliente possuía uma peculiaridade; apesar dos 15 minutos de atraso na reunião, ele parecia em minha primeira análise, irritantemente calmo. Um membro de sua equipe culpou a “mania” dele não usar relógio pelo atraso, então introduzimos o assunto sobre a forma de nos relacionar com o tempo, ele superficialmente citou sobre a sua teoria de Tempo Interno e Tempo Externo. Tempo Cronológico (Externo) e Tempo Kairótico (Interno). Fiquei intrigado, mas bastante motivado pela teoria. Gastei as minhas poucas horas restantes após a faculdade para ler sobre o tema e apesar do pouquíssimo conteúdo encontrado, consegui formular o raciocínio da lógica explicada pelo cliente, que me abriu um novo horizonte e conseqüentemente uma nova perspectiva para o tempo.

Chronos:

Da mitologia grega, era a personificação do tempo. Resumidamente é o que hoje entendemos como o tempo medido, o tempo que todos percebem. Logo entendemos como o tempo externo, ou seja, é o tempo que todos se orientam para programar as atividades durante um espaço de tempo, espaço esse medid

o pelo relógio, calendário, etc. É o tempo de natureza quantitativa.

Kairos:

Também na mitologia grega, é a expressão utilizada para “momento certo”. É a forma como nós expressamos o nosso tempo interno, o momento oportuno para fazermos as nossas coisas. O tempo que julgamos correto para praticarmos determinadas ações. É o tempo de natureza qualitativa.

Então o cerne da questão fica justamente nesse conflito entre o tempo externo e o tempo interno, o quantitativo com o qualitativo. Com a vida moderna ficamos escravos do cronógrafo. Já observaram o como nos tornamos impaciente com um simples elevador? Se ele não aparece 8 segundos após apertarmos o botão, já somos instigados a chamá-lo novamente.

Quer ver uma relação interessante? Quantos de nós utilizamos uma internet lá pelos idos de 1996, quando o UOL cobrava uma pequena fortuna pelo acesso ilimitado, internet banda larga? ha ha nem sonhando. Era modem de 33600 quem tinha tecnologia de ponta, taxas de transferências de 2 ~3 kbps e éramos felizes, aguardávamos pacientemente aquela página carregar. Agora vamos analisar hoje; HSDPA no celular, 1 Mbit em pleno dispositivo móvel e tem gente reclamando. Já teve a experiência de ficar sem banda larga? E correr desesperadamente para aquele acesso dial-up. Sim, procurar aquele cabinho RJ11 para conectar no modem, e invariavelmente tentar lembrar o número de acesso do IG… Putz, era 1500 alguma coisa… caramba… E agora… Pois é. Nossa relação com tempo mudou de mais. Não agüentamos mais um minuto sem coisas que colocamos no nosso cotidiano. Nossa relação com o tempo cronológico, externo virou submissão, parecemos estar fadados a esse círculo vicioso que parece irreversível.

Tenho pensando bastante nisso. Pensado numa forma de aproveitar mais o tempo Kairótico, aproveitar mais o meu timming, sem ser irresponsável com o tempo cronológico que a vida cotidiana me impõe. Mas esse conflito será eterno, tentarei ao máximo usar o tempo interno, quando possível deixarei o relógio afastado.

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3 responses

8 10 2008
Vinicius

Nunca sobra tempo! Há quanto tempo você não fica largado sem fazer nada ao ponto de se entediar? Essa vida maluca acaba conosco parceiro… Toda essa filosofia é legal, mas qem tem tempo para ela? 🙂

Abraços!

8 10 2008
Larissa

Adorei tema escolhindo tempo!! Muito bem colocado! O tempo voa … Beijos

29 12 2008
Rico

Mudanças, meu amigo, mudanças… Há milhares de anos tudo (ou quase tudo) era feito de uma forma muito mais lenta. Alguém descobriu que a otimização do tempo (seja cronos ou kairos ou ambos) é crucial para determinadas vitórias e o instinto competitivo do ser humano passou a valorizá-lo (ou desvalorizá-lo) como nunca!

Toda essa idéia de otimização tem um lado + e outro -, como tudo. Ela nos faz mais ágeis e essa agilidade nos leva ao desenvolvimento mental e assim por diante. Esse é o lado +. O lado – é que isso nos é imposto de maneira cruel. Como assim? Todos reclamam que tudo passa muito rápido, todos reclamam que não deu tempo, todos reclamam que não tem tempo para isso ou aquilo e todos gostariam de ter!

Acho ótimo a idéia da produtividade, da otimização do tempo, realmente fantástica! Mas melhor ainda é a da qualidade de vida. Nós ser humanos não crescemos mais rápido por isso, não digerimos o alimento mais rápido por isso, o pôr-do-sol não é mais rápido por isso, o filme, o teatro, a música não passam mais rápido por isso, nossos filhos não crescem mais rápido por isso! Já reparou que a maioria de nós não tempo para lidar da maneira adequada com uma criança? Já reparou que é muito comum dizer, de forma impaciente, para uma criança algo como: anda logo, como logo? E muitas vezes não conseguimos deixar que a criança faça as coisas ao seu tempo e acabamos por fazer por ela da nossa forma, seja carregando no colo, seja arrumando a bagunça sem deixá-la participar justamente por ela não atender a nossa expectativa de tempo? E já reparou um jovem ensinando uma pessoa mais velha a usar um telefone celular ou um computador? Já reparou que, em geral, o jovem não tem paciência por não conseguir acompanhar o tempo que a outra pessoa precisa?

Não estamos respeitando o nosso tempo (kairos?), estamos mudando a natureza humana, degradando a nossa qualidade de vida, a nós mesmos! E qualquer mudança exige… hummm… é… TEMPO! Tempo para adaptação! O fato é que ainda não descobrimos uma maneira saudável de otimizar o tempo sem degradar a nossa qualidade de vida, sem degradar a nós mesmos!

Abraço

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